A história começa com um processo penal.
Maldita justiça humana, ela raramente acerta alguma coisa. Porém, fosse o tempo de desconfiar da divina também, ela demora muito.
João José Bonito fora processado por plágio de um livro espanhol ao lançar o livro "Operação Mula-de-Tróia".
Lançado em 2010, esse livro conta a história desse jornalista brasileiro que acessa um vídeo sobre o futuro da humanidade. Desacreditado por muitos, virou simplesmente um ícone de futurista pregador de uma seita esotérica de OVNIS.
Esse cearense conseguiu acessar uma máquina do tempo para relatar sobre o futuro, só que infelizmente, só mostrava imagens em um vídeo, num objeto extra-terrestre.
Com uma câmera na mão, ele consegue registrar o filme em uma fita cassete.
Ele viu que o mundo estava no caos. Viu nascer doenças muito piores do que a AIDS e o câncer. Observou que terremotos, tufões e vulcões em erupção se alastravam por todas as partes do mundo. 90% da água no mundo já não era mais potável e o ar estava completamente poluído. O lixo atômico acumulado gerava milhares de mortes por dia.
50% dos seres humanos ingeria algum tipo de remédio diariamente, desde um simples analgésico até anti-depressivos dos mais poderosos.
Há tempos que o planeta Terra tinha começado a mudar seu eixo de rotação, e começou a nascer dois sóis.
Eis que a freqüência do cérebro dos seres humanos tinha começado a mudar, e eles começaram a ver mortos, como esquizofrênicos em estado avançado.
Os equipamentos de TV tinham tecnologia o suficiente para alcançar a nova freqüência de imagens. Mortos apareciam na TV, conversavam e falavam do reino dos espíritos.
Eis que uma luz surgiu, causando um tremor de Terra em Jerusalém, assutando os moradores que imaginavam ser mais uma tragédia eminente.
Cristo aparecia, com aquela imagem européia do período artístico da renascença, com vestes longas e um olhar concentrado.
Era impossível não reconhecê-lo, as plantas nasciam de onde ele pisava, brotando flores e frutos com aparência nunca vistas.
Ele tinha convocado a imprensa mundial para proclamar seu discurso e escolheu o Vaticano para proclamar seu retorno.
Ao contrário dos mortos, que tinham aspecto de plasma, Cristo era de carne e osso. Estranhou um pouco a comida do século XXI, mas não chegou a rejeitar. Afinal, um judeu acostumado com outro tipo de alimentação mais vegetariana tem que estranhar os enlatados europeus...
Cristo aproveitou a viagem para reconhecer as mudanças no planeta, a globalização. Foi aos cinemas, às lojas de departamento e teve que abrir uma conta internacional em um banco europeu para poder gastar o dinheiro que tinha recebido como herança de seus ancestrais. Com documento acertado em Jerusalém, registrado como Yehoshua de Nazareth, foi ao palanque de discurso do Vaticano, no lugar aonde costuma ficar o Papa. Não cortou a barba nem o cabelo, senão iria ficar irreconhecível.
Eis que a cerimônia começa com uma mulher líder da Opus Dei, uma brasileira que tinha contato com médicos e juízes, falando:
- Fala, mestre Jesus!
Cristo olha ela de uma maneira não muito amistosa e responde:
- Eu não sou seu mestre, e meu nome não é e nunca foi "Jesus"! Pra você, eu sou Yehoshua de Nazareth!
Que Igreja é essa daqui?! Meu Pai, Paulo de Tarso deturpou tudo que eu deixei para Pedro!
Eu jamais ordenei que conquistassem terras em meu nome. Eu cuspo em cima dessa ordem religiosa que fizeram!
Nunca fui católico, e vocês, líderes religiosos hipócritas, sempre esconderam isso do mundo! Eu sempre fui judeu, sempre segui as regras do judaísmo... Porém, eu vejo hoje o mundo com outros olhos. Desde quando religião justifica privilégios e posse de terras? Eu sempre preguei que cada homem poderia ser seu próprio milagre, e seu corpo o templo aonde rezasse. Nunca disse para dependerem de líderes religiosos, ainda mais hipócritas como vocês!
Os ateus olham atônitos esse Cristo e o aplaudem.
- E vocês, ateus, se não acreditam em Deus, porque me aplaudem? Em que acreditam?
Um ateu responde:
- Acreditamos na dignidade, fraternidade, igualdade e que um dia o ser humano será um ser melhor, preocupado com o convívio com outros seres vivos. Aplaudimos por sua sinceridade, também achamos isso das religiões.
Cristo responde:
- Felizes são vocês, que acreditam na ação mais do que na verborragia hipócrita das religiões.
Eis que Cristo some como uma luz, no aumento da polêmica de suas palavras entre os jornalistas e com o povo revoltado, com várias pedras nas mãos, pronto para jogar nos líderes religiosos da ICAR.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
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